Os desejos do coração

Texto: Pv 1:19

"Tal é a sorte de todo ganancioso; e este espírito de ganância tira a vida de quem o possui."

Introdução:

É natural termos anseios em construir e conquistar, mas há uma linha tênue entre uma virtude e o extremo. Temos que desenvolver a consciência de que devemos trabalhar de maneira pessoal e também coletiva nossas emoções, sentimentos e motivações.

Geralmente julgamos os outros com mais rigor do que a nós mesmos. Nossa tendência é avaliarmos as pessoas por suas ações e a nós mesmos por nossas intenções, o que gera uma disparidade. É preciso aprender a julgar a si mesmo.

Muitos que se perderam não o fizeram por seus defeitos e sim por suas virtudes, que se transformaram em soberba e ganância.

Existem três perguntas que devem sempre constar das nossas auto-avaliações para aferirmos em que via estamos conduzindo nossa caminhada rumo ao sucesso. Para que não nos percamos no processo, é preciso tê-las em mente, a fim de não sermos destruídos. Avalie-se fazendo estas perguntas a si mesmo e assim tome atitudes necessárias para evitar a destruição trazida pela ganância:

 

1-     O que você deseja?

 

Você sabe o que deseja? Essa pergunta só pode ser respondida de maneira pessoal. O que eu desejo dos meus relacionamentos e de todo o contexto em que vivo?

O que eu desejo faz toda a diferença; determina o que há por trás das ações. Muitas vezes estamos tão absortos no trabalho que nem mesmo vemos claramente o que desejamos. Por outro lado, quando não desejamos algo de maneira palpável, não estamos trabalhando bem o lado emocional, isso quer dizer que o nosso "eu" ainda não foi formado, ou seja, não há uma identidade definida.

            Muitos não ousam desejar por que não se vêem com estrutura para obter o que desejam. O que desejamos diz muito a nosso respeito. Será que sabemos o que desejamos: do ministério, do relacionamento com Deus e de outras áreas das nossas vidas? Será que temos isso definido de maneira visível e clara? Aonde queremos chegar?

            Um dos grandes problemas das pessoas é conseguir ver-se, abençoado, feliz, alegre, desejado, querido...

            Antes de alcançarmos algo, nós criamos uma imagem daquele lugar aonde queremos chegar: "Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam..." (Hb 11:1) e "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam." (Hb 11:6).  O desejo deve existir com equilíbrio e sem a ganância.

 

2-     Por que você deseja?

 

É neste ponto que as coisas começam a se definir. A resposta satisfatória a essa pergunta é aquela que se submete ao crivo da Palavra de Deus, estando de acordo com ela. Toda vez que conseguimos responder um desejo de acordo com o crivo de Deus é uma vitória.

            Essa pergunta traz em questão o ponto em que muitos bem-intencionados são reprovados: "Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; 3 pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres." (Ti 4:2-3)        Muitas vezes desejamos algo bom, que aparentemente vem de Deus, mas diante do porquê nossas intenções e motivações se tornam claras e culminam em resistência da parte de Deus. Quando os porquês não são santos todo resto está corrompido.

            Para que ser mestre na palavra, ser rico ou sábio, por que ser um pregador, por que ser ou ter algo?

            É preciso clamar por motivações e porquês certos. É preciso policiar-se sempre: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno." (Sl 139:23-24)Perguntar diariamente o porquê faz parte da proteção contra a ganância.

 

3-     Até que ponto você deseja isso?

 

            Que preço estamos pagando pelo nosso desejo? O texto diz que "O espírito de ganância tira a vida de quem o possui."

            Um aferidor da integridade de nossos desejos é observarmos as vezes que, no afã de conseguirmos algo além, nossas ações geraram morte em alguma área de nossas vidas ou na vida de pessoas ao nosso redor. Esse é um sintoma de ganância.           Quando comprometemos a estrutura familiar, o relacionamento com Deus ou a saúde, estamos causando a morte. Então o pecado entra e tenta tirar a vida de quem o possui.

            Quando as conquistas deixam cadáveres, é tempo de parar, observar e refletir, e muitas vezes perceber se estamos forçando situações.

            Que preço estamos dispostos a pagar pelo desejo? Até a morte? É uma questão muito séria e delicada a ser respondida. Muitos abriram mão da vida de oração e da comunhão com Deus. No desejo de fazer, às vezes, esquecemos o que é realmente importante. Essa é uma das causas pelas quais as coisas podem não estar dando certo.

            Observar o preço que temos pago nos ajuda a definir o fruto de nossos desejos.

 

Conclusão:

É preciso colocar em ordem os desejos, ter em mente o que realmente é mais importante, avaliar constantemente o que se quer e seus porquês e o preço que temos pago a fim de que possamos oferecer a Deus atitudes e coração puro.

 

 

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